A discussão recente sobre o cigarro eletrônico é sua utilização para parar de fumar ou reduzir os danos do cigarro na sua forma atual

 

Opinião do Dr Alberto Araújo, Diretor do Núcleo de Estudo e Tratamento do Tabagismo da UFRJ, sobre o Cigarro Eletrônico.


“Antes de tudo, é preciso explicar como são produzidos os e-cigarettes. O cigarro eletrônico fabricado na China é composto por um tubo metálico que contém um recipiente de nicotina líquida e outras substâncias não identificadas, comercializadas em cartuchos recarregáveis. Quanto ao seu efeito no organismo, Douglas Bettcher, diretor da Iniciativa Contra o Tabaco da OMS afirma que ainda não existem provas de que ele seja mesmo seguro e ajude os fumantes a abandonar o vício. Pelo pouco que conhecemos, é possível presumir que este e-cigarro seja muito nocivo para quem quer parar de fumar e para quem quer continuar fumando.

Imaginem o impacto de uma invenção como essa: as pessoas se sentirão à vontade para fumar livremente em ambientes fechados; pois não produz fumaça. Professores e alunos poderão fumar em salas de aula; médicos poderão fumar em seus consultórios e pacientes nos hospitais; crianças fumarão escondido sem serem notadas. Isso faria com que todos os esforços para regulamentar os ambientes livres de tabaco fossem descartados a partir da disseminação de uma crença de que eles não causarão mal a terceiros.

O cigarro eletrônico além da nicotina, ao que tudo indica, contém 50 substâncias cujo teor, quantidade e composição ainda são desconhecidos. Assim, ele também causa e mantém a dependência, por simular exatamente o ritual e as associações comportamentais que o cigarro convencional condiciona.

Além disso, as substâncias químicas que permitem que a nicotina seja liberada podem causar danos parecidos com aqueles já produzidos pelo cigarro convencional ou até outros problemas de saúde.

As substâncias psicoativas do cigarro, da qual a nicotina é a maior expressão, estimulam uma determinada área do cérebro localizada na Área Tegumentar Ventral, conhecida como nucleus accumbens a liberarem uma grande quantidade de neurotransmissores, dos quais a dopamina se destaca. Estas ações fazem parte de um grande sistema denominado “Sistema de Recompensa Cerebral” que todos os indivíduos têm desenvolvido.

No caso dos fumantes, estes neurotransmissores geram durante um determinado período, em torno de 40 minutos, uma sensação de prazer, de alívio e satisfação, ao mesmo tempo aumentam a concentração, o metabolismo corporal e excitam o indivíduo.

No campo da Saúde e Meio ambiente, adota-se cada vez mais como princípio norteador na introdução de novas tecnologias, o denominado “princípio da precaução”, ou seja, a sociedade deve discutir, informar-se e antecipar-se a medir os potenciais riscos de qualquer produto para consumo humano, adotando-se este princípio, este e-cigarette deveria ser proibido. O maior perigo está em não se saber quais substâncias químicas misturadas à nicotina liquida são encontradas no cartucho.

Ainda que o e-cigarro só tivesse a nicotina sem a adição de outras substâncias danosas, valeria a pena usá-lo, sabendo que essa é uma das mais potentes drogas psicoativas? É verdade que ela pode ser usada para ajudar o fumante a se tratar do tabagismo, mas são métodos já bastante testados e seguros para a maioria dos pacientes, refiro-me no caso aos adesivos, gomas e outras formas de administração que ainda não existem no Brasil, como os inaladores, spray nasal e pastilhas.

No caso do e-cigarette é bem possível que a pessoa não resolva mais parar de fumar e só troque o veículo de liberação da nicotina (o cigarro convencional pelo eletrônico), com o risco de ingerir inúmeras e desconhecidas substâncias químicas que serão liberadas em sua circulação. É um risco que as pessoas não devem correr. É como trocar seis por meia dúzia, na prática continuará fumante e não há nenhuma garantia de que este método venha ajudar a pessoa no futuro a parar de fumar, tampouco de não ter câncer de pulmão e em outros órgãos.

A prevenção é a principal arma contra o tabagismo, mas para aqueles que já se tornaram dependentes, o melhor caminho é procurar por um dos 70 centros de tratamento cariocas. Basta ligar para o Teles saúde: 2273-0846 e informar-se sobre os locais mais próximos de sua residência ou de trabalho. Quer deixar de fumar? Faça uma tentativa séria com profissionais competentes e preparados para ajudá-lo nesta tarefa. Proprietários das marcas de cigarro eletrônico ou convencional só querem o seu dinheiro e acabam lhe tirando a beleza, a intensidade e a duração da vida. Pense nisso, para ter mais qualidade no viver. E-cigarette com certeza não é a solução.

 

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