Combate ao uso de Drogas por Crianças e Adolescentes

 

combate-ao-uso-de-drogas-por-criancas-e-adolescentes

“Os problemas com as drogas já atingem a faixa etária atendida pelo pediatra e nem os pais, nem o próprio especialista, estão habituados ou preparados para este tema.”

No 14° Congresso Paulista de Pediatria, realizado nos dias 12 a 15 de março último, foi lançado o livro Álcool, Tabaco e Maconha: Drogas Pediátricas, de autoria de João Paulo Becker Lotufo (foto), pneumopediatra, médico assistente do Hospital Universitário da Universidade de São Paulo (HU-USP), e coordenador do Projeto Antitabágico do HU-USP, com o apoio da Sociedade de Pediatria de São Paulo e Sociedade Brasileira de Pediatria. Esta foi a primeira ação da parceria entre a SPSP e o projeto Dr. Bartô, coordenado por Lotufo com o objetivo de capacitar gestores, equipe técnica, pedagógica e de apoio em escolas e empresas – públicas ou privadas – a lidar com a grande incidência de vícios lícitos (tabagismo e álcool) entre crianças e adolescentes.

“Com essa parceria, esperamos divulgar o assunto drogas – enfatizando a prevenção – entre os pediatras, para que todos possamos fazer o que chamamos aconselhamento breve na consulta pediátrica”, comentou Lotufo.

Para isso, foi criado o Grupo de Trabalho Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes da SPSP, com coordenação de João Paulo Becker Lotufo. “Os problemas com as drogas já atingem a faixa etária atendida pelo pediatra e nem os pais, nem o próprio especialista, estão habituados ou preparados para este tema”, afirmou o pediatra. Lotufo aplicou um questionário em 2007, em um congresso de pediatras e pneumologistas pediátricos, e as respostas revelaram grande desconhecimento dos médicos sobre os problemas e sobre o tratamento do tabagismo. “O mesmo aconteceu em 2009, ou seja, o nível de conhecimento do médico era semelhante ao do leigo nessa questão”, ressaltou Lotufo.

ESTUDO

Uma pesquisa com cerca de 3 mil alunos da rede pública de ensino fundamental e médio de escolas da região do Butantã, em São Paulo, observou-se que o uso das drogas lícitas se inicia aos 10 anos de idade e, no último ano do ensino médio, 25% dos jovens está fumando, 59% está bebendo (álcool), 20% já usou maconha e 5% já experimentou crack. “Tudo é muito precoce, e 25% de jovens fumantes é um número bem superior ao de maiores de 18 anos fumantes (11 a 14%) no estudo”, contou Lotufo. A pesquisa foi organizada pelo projeto Dr. Bartô e patrocinada pela Pró-reitoria de Cultura e Extensão da Universidade de São Paulo.

CAFÉ DA MANHÃ COM O PROFESSOR

A próxima ação da parceria entre a SPSP e o projeto Dr. Bartô será o Café da Manhã com o Professor com o tema Aconselhamento Breve Sobre Drogas em Pediatria. “Apresentaremos os dados de experimentação das drogas na área pediátrica e daremos subsídios para que o pediatra possa agir e dar orientações à família, pois sabemos que o diálogo na família é o principal fator de prevenção às drogas”, informou Lotufo. O evento também terá orientações sobre como tratar adolescentes e pais fumantes.

 

JULHO BRANCO: MÊS DE COMBATE ÀS DROGAS NA INFÂNCIA E NA ADOLESCÊNCIA

A parceria entre a SPSP e o projeto Dr. Bartô, por meio do Grupo de Trabalho Combate ao Uso de Drogas por Crianças e Adolescentes, quer instituir o mês de Julho como o mês de combate às drogas na infância e adolescência. “Queremos iniciar uma campanha permanente contra as drogas e o consumo de álcool na faixa etária pediátrica, protegendo nossas crianças e adolescentes e, também, fornecendo subsídios para que o pediatra tenha segurança e informações precisas ao abordar esse tema em suas consultas, por meio de encontros, palestras e conferências”, disse Claudio Barsanti, presidente da SPSP.

combate-ao-uso-de-drogas-por-criancas-e-adolescentes-com-consciencia

 

 

dr-joao-paulo
João Paulo Becker Lotufo
Médico pediatra da SBP, SBPT e SPSP, responsável pelo projeto antitabágico do HU USP
Responsável pelo projeto Dr BARTÔ, de prevenção de drogas no ensino fundamental e médio